Ágora


 

A Ocupação Continua

 

A ocupação da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas iniciada no dia 5 deste mês, continuará por tempo indeterminado, ou pelo menos, até sexta-feira, quando faremos uma nova Assembleia estudantil para decidir sobre a manutenção da mesma, e outros assuntos. A ocupação é o resultado do pouco caso que a atual gestão vem conduzindo a universidade e problemas que a aflinge. Além disso, o protesto foi decidido e aprovado em uma assembleia histórica, composta por mais de 700 estudantes.

A audiência que era para acontecer ontem, dia 6, não aconteceu. Ocorreu sim, uma reunião na qual o Procurador Federal Rodrigo Henrique, a Reitora Ana Deyse, o atual Vice-Reitor Eurico Lobo e seus advogados e, do outro lado, isto é, representando os estudantes estavam uma equipe de 7 camaradas.

Diante da não resolução das pautas pleiteadas pelos estudantes tanto do campus UFAL Maceió, quanto as de outros campi, resolvemos continuar a ocupação atendendo a decisão soberana da assembleia estudantil, embora o Diretório Cental Estudantil tenha tido entendimento diferente sobre o assunto. Entretanto, a posição majoritária dos estudantes e militantes que estão dormindo da reitoria, entendeu que nós devemos ficar.

As reivindicações são várias, indo desde mudança na grande curricular a problemas de infraestrutura como a falta de salas de aula para os cursos, a exemplo dos de Teatro, Música e Canto. Nos campi do interior, a situação é ainda mais grave, pois, os estudantes de Psicologia  ao se formar recebem um diploma provisório, o estágio na Clínica Escola, que é obrigatório eles não fazem, e por isso, não saem com a formação plena.

Cabe a nós, estudantes, divulgarmos as causas que nos levam a tomar essa atitude, explicar a sociedade que a motivação-guia, é o senso de justiça e a indignação com a falta de competência gerencial daqueles que estão conduzindo esta universidade. Penso que este ato deve ser apoiado por todos cidadãos, pois, as questões da universidade atinge diretamente, à primeira vista, só os acadêmicos, contudo, isso torna-se falso, quando analisamos que o dinheiro que é gerido pela Reitora é do povo, é dos profissionais liberais, dos operários, dos cortadores de cana, dos camponeses... Dessa forma, a luta é de todos! Junte-se a nós, camaradas!    


 

 



Escrito por Fernando Milton às 10h31
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Joaquim Gomes: uma cidade modelo

 

Aqui não há compra de votos. Não há corrupção. Os políticos não são pragmáticos, fisiologistas nem corruptos. Todos são honestos. A câmara municipal é atuante, cobra a prestação de conta corretamente, e não permite nenhum tipo de irregularidade. Não existes negociações espúrias entre o legislativo e o executivo: aqui tudo é transparente, pois, os gastos da prefeitura municipal, assim como do legislativo é disponibilizado eletronicamente na internet para todos os munícipes terem acesso como está sendo gasto seu dinheiro. E todo mundo acessa, pois, toda família nesse município ou tem um computador em casa, ou tem recursos financeiros para irem a Lan House. Enfim, Joaquim Gomes é o município-modelo a ser copiado por todo o Brasil, quiçá, pelo mundo.

Aqui a educação é uma das melhores. Os professores sãos os melhores, assim como seus salários. Há muitas salas de aulas com boa estrutura para lecionar as crianças. Há bebedouros nos colégios.  Na saúde não existem problemas, pois médicos não faltam no hospital. Além de haver médicos em quantidade suficiente e adequada ao número de habitantes, os funcionários de nível médio recebe sempre em dia. Não há atrasos em seus salários.

No pese toda essa maravilha, existem ainda – e isso é muito triste – pessoas que não entendem o quanto o munícipio está evoluindo nos últimos tempos, sobretudo, nos três últimos anos. Esses indivíduos, especialmente, uns poucos que vivem acusando o poder público de está agindo de maneira incorreta, ou ainda de existir nessa desenvolvida cidade, uma coisa chamada corrupção que ninguém ver, só os olhos infelizes desse indivíduo. Todos sabem a quem estou aludindo.

Ainda sobre o indivíduo que me referi, somos todos obrigados a concordar que suas palavras são caluniadoras, deliquentes, difamatórias e mentirosas. Ele chegou a afirmar em uma ocasião que Joaquim Gomes era “o ânus do mundo”, devido o processo político tumultuado que vivi o este município, na opinião dele, que fique bem claro isso!

Cabe a todos repudiar um indivíduo desses. Como é que pode, alguém falar tal impropério de nossa cidade? De nossos políticos comprometidos com o nosso povo! Somos sabedores que os nossos políticos são extremamente comprometidos com a população local. Todos eles se elegeram, através de suas propostas para a cidade, de suas ideias. A câmara municipal é composta de vereadores que subiram no palanque, em 2008, e se dirigiram ao povo apresentando sua visão de mundo, politizando os eleitores, condenando a compra de voto, sob as mais diversas manifestações, inclusive aquela manifestada através de “troca de favores.”

Em nossa cidade, a população tem saneamento básico, não apenas em ano que antecede as eleições, realizados com fins eleitoreiros, mas algo planejado onde a empresa que realiza o saneamento é contratada por meio de licitação, mesmo quando o valor da obra é pequeno e a licitação é dispensável. Aqui tudo funciona. Não faltam transportes adequados nem para os estudantes da zona rural do município, nem para os da capital alagoana. Nunca esses estudantes que buscam fazer um curso superior em Maceió ficaram na estrada por falta de manutenção dos ônibus. Eles nunca quebraram na estrada. Nunca, nunca isso aconteceu. Nesse município não há nada parecido com isso. E que fique bem esclarecido que se você observar determinado indivíduo escrevendo coisas diferentes dessa verdade “joguem pedras nele, condenem-no”, pois, ele estará mentindo.

A verdade é que em nossa querida cidade não falta nada. Sobram empregos, educação, saúde. Aqui tudo que é benéfico para a população o poder público constituído consegue. A prova disso é que não há oposição política nesse município. E, principalmente não existe nenhuma manifestação contrária a “situação”, porque nossos jovens que são instruídos, conscientes e coesos nada têm a dizer, porque a população tem tudo que precisa. Aqui os jovens estudantes têm acesso a cultura, e os grupos que se autointitulam de cunho culturais calam, diante da lisura e da boa administração do município. Para que prova melhor de que a situação do povo está excelente que a opinião das pessoas supostamente mais instruídas do município??? Portanto, quem fala ou propaga algo diferente disso, é difamador e mentiroso.

Caros internautas joaquimgomenses, a situação de nosso munícipio é excelente, o povo vive bem: educação, saúde, saneamento básico, emprego, tudo, nota dez! Tanto é fato isso, que ele não diz o contrário. Os acadêmicos silenciam, os profissionais, os comunicadores, e até a oposição aplaudem o que veem!      

                                               

 P.S.: Não é necessário informar que estou usando uma das mais conhecidas figuras de linguagem da Línga Portuguesa, o que é possível deduzir pela orientação política.

 

 

 



Escrito por Fernando Milton às 14h14
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A (c) omissão da Comissão do transportes

 

Depois de uma luta árdua e de muito tentar fazer valer nosso direito de estudantes, de cidadãos, conseguimos, enfim, que a prefeitura municipal de Joaquim Gomes aceitasse que os estudantes pudessem formar uma comissão de transportes para tomar as decisões sobre os acontecimentos relacionados ao itinerário do ônibus, assim como solucionar tudo que se relacionar aos transportes dos estudantes que utilizam o veículo para irem a capital alagoana. Assim foi combinado, mas assim não foi praticado.

Após haver acontecido quase um acidente no trajeto do ônibus de Maceió para Joaquim Gomes, nós fizemos uma manifestação, a qual mostrou para a sociedade joaquimgomense a situação calamitosa que vive a comunidade estudantil, usuária do ônibus deste município. Apesar de termos exposto para a sociedade o descaso do governo municipal em relação aos estudantes dessa cidade, houve quem pensasse em não fazê-la, em não denunciá-la, em se omitir, como atualmente vem procedendo.

Através do referido protesto, conseguimos uma audiência com o prefeito interino, o qual aceitou o acordo já mencionado, isto é, a criação da aludida comissão do transporte, que nunca teve sua atuação legalizada, pelo poder público municipal, inclusive pela autoridade aqui citada.

Após, pelo menos dois meses de “existência” hipotética dessa comissão, a qual está sendo chamada de “comissão fantasma”, pois, pode até existir, mas ninguém a ver, poucas pessoas podem apontar sua utilidade, a não ser a manutenção de dois ônibus diariamente para Maceió, fato que seria apenas umas das necessidades urgentíssimas. A função da comissão, segundo seu regimento interno, possuía muito mais funções do que isso, pois, sua existência seria o resultado do empenho dos estudantes conscientes e desprovidos de comprometimentos políticos, ou de quaisquer natureza. Hoje a situação é outra.

A comissão referida não passou do papel, o itinerário do ônibus continua sendo decidido pela “situação” e ela não tem demonstrado nenhuma autonomia perante os motoristas, no que pese alguns componentes ostentarem postura austera, decidida, destemida e politizada. Mas em contrapartida, pode-se observar sem nenhuma dificuldade que a comissão, antes considerada reivindicadora, imparcial e comprometida com o bem-estar estudantil, atualmente está eivada de vínculos incondizentes com a moralidade e a postura de um grupo ético e justo.

Tendo em vista isso, por fazer parte da citada comissão, na categoria Comissão Externa – integrante que seria responsável por ajudar na resolução de problemas que não conseguissem ser dirimidos pela comissão interna – comunico aos meus amigos estudantes de Joaquim Gomes que não mais faço parte dessa equipe, ou melhor, desse grupo, que se consagrou inoperante, oportunista e pragmático. Reafirmo minha saída desse ajuntamento de pessoas, que agrutina indivíduos decentes e sérios, mas que também congrega cidadão de ideias opostas e incoerentes.

A minha saída, já comunicada há alguns dias a todos os colegas integrantes da Comissão, pode representar também a formação de uma nova equipe, ou melhor dizendo, de uma equipe que pretende ser justa, ética, não cooptada, não omissa, operante e, acima de tudo, ter o interesse comum como lei suprema, razão maior da existência das lutas sociais.

Reitero meus sinceros respeito e consideração a todos integrantes da referida comissão, ao tempo em que reforço o meu desejo e voto de um futuro brilhante a todos os estudantes de Joaquim Gomes.

 

 



Escrito por Fernando Milton às 14h30
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   FERNANDO MILTON INFERNANDO MUITO [1]

ou

O PREÇO DE EXERCER A LIBERDADE

 

 

Tratarei a seguir da questão da liberdade, segundo as considerações do estudioso inglês, Stuart Mil, analisando as consequências dela para o indivíduo, que ousa exercê-la na sua plenitude, relacionando isto, a minha tarefa de não deixar que esqueçamos de combater os malefícios da corrupção, mesmo aquela mais sutil, independentemente de  quem quer que seja o corruptor ou o corrompido.

Stuart procura analisar a capacidade e as possibilidades que o homem tem de proceder conforme seus desejos, sem nenhum impedimento físico ou moral. Para agir com tamanho liberdade é necessário, adotar um comportamento austero, audacioso, assumindo as consequências, agindo por sua própria conta e risco[2].

Embora os homens possam tentar agir com a mencionada a liberdade, é pouco provável que eles pratiquem o que falam. A prática e a teoria, na vida cotidiana, não são sonhadas serem semelhantes, simétricas, condizentes. Stuart Mill afirma que “Ninguém pretende que as ações devam ser tão livres quanto as opiniões.”[3] Apesar das opiniões possuírem grau elevado de liberdade, ainda pode-se constatar casos em que os indivíduos serão restringidos, ou prejudicados se exporem sua opinião sobre determinado assunto. O autor cita como exemplo, a opinião de que o comerciante de cerais, é causador da fome dos pobres. Tal concepção pode ser emitida tranquilamente, caso tenha proferida na imprensa, longe do interessado ou da classe deste, contudo, na presença deles, poderá o emissor sofrer sérios problemas em decorrência de suas palavras.

Outros exemplos podem ser listados: um prefeito corrupto, um vereador que recebe “mensalinho”, um Juiz parcial. São hipóteses que se forem ditas abertamente certamente o indivíduo vai encontrar problemas sérios, mesmo que tenha provas cabais de tais fatos. Para exercer a liberdade plena, o indivíduo deve renunciar ao sossego. Entretanto, não exercitar a liberdade é ter na consciência o desassossego da omissão, é ser covarde o bastante para só criticar os que considera mais frágeis e criticáveis.

Tais fatos dialogam diretamente com o fato histórico bastante conhecido nosso: a renúncia de Galileu Galilei as suas descobertas cientificas, sobretudo, sobre o fato de que a terra não era o centro do universo. Tal ideia contrariava a igreja Católica, que o levou ao Tribunal da Santa Inquisição e o condenou. Para receber pena mais branda, aconselhado por sua filha, que era freira, desmentiu suas próprias descobertas, acusando-as de inverdades. Em carta, sua filha o aconselha “a não segurar a faca pelo lado cortante”, um pedindo sutil para ele desdizer suas teorias, e ao menos, continuar vivo. Conforme Stuart Mill, repito, mesmo nossas opiniões, sofrem restrições impostas pela circunstância e pelo poder dominante. Galileu foi impedido de externar suas concepções, sob pena de ser morto. Embora tenha as desmentido, ainda assim, foi preso por isso.

A liberdade individual, porém, deve ser limitada, quando cause mal a outrem, pois, a nocividade das opiniões não devem atingir as pessoas, mesmo que para isso, deva-se restringir a liberdade dos indivíduos. Entretanto, ainda segundo Stuart Mill, quando o indivíduo se abstém de molestar outras pessoas em suas opiniões, deve-se também, isentá-lo de qualquer dano em relação as suas concepções, tendo sido avaliadas necessárias. E, para usar as palavras dele, deve-se permitir que o indivíduo coloque “suas opiniões em pratica à sua própria custa”[4]. Portanto, as liberdades individuais são em regra livres e justas.

Outro ponto, abordado pelo estudioso, é a falta de liberdade ocasionada pelo fato de o indivíduo seguir, demasiadamente, as tradições e costumes, em detrimento de seu posicionamento individual. A liberdade é questão de bem-estar, possui um valor intrínseco, é uma parte e uma condição necessária ao individuo, enfim, não pode ser subestimada. Falando sobre liberdade do homem, questionamos qual a finalidade deste nessa perspectiva? A resposta de Wilhelm Von Humboldt aponta que “não é a que é sugerida pelos vagos e efêmeros desejos, mas a que lhe é prescrita pelos eternos e imutáveis ditames da razão, consiste no mais elevado e harmonioso desenvolvimento de seus poderes num conjunto completo e coerente.” Assim, depreendemos que nossa liberdade deve ser exercida, sem hesitação, de modo cabal, todavia, atendendo ao principio da razoabilidade, coerência e da razão.

Deste modo, quem prefere ser conservador, adotar posturas tímidas, seguir os costumes, isto é, o que a sociedade já estabeleceu como “correto”, “normal”, acaba não fazendo escolha alguma, vivendo as escolhas da tradição, dos costumes.

É assim que vivem os cooptados, os vendidos, os resignados. Aqueles que “falam grosso com os fracos, e finos com os poderosos”. Dessa forma, dedico esse texto aos “silenciosos”, quietos, complacentes e coniventes com a corrupção, e também, os que ajudam, ou são indiferentes com o modelo institucional vigente nesse país que não inibe a corrupção. Em especial, aos pouquíssimos joaquimgomenses que colaboram ou são indiferentes à manutenção do erro nesse município.


 



[1] Esse título é inspirado num recado colocado no mural do site jg noticias, em que o indivíduo com o pseudonônimo de Alisson, profere alguns insultos dirigidos a mim, por não concordar com o texto “Joaquim Gomes: 881 dias sem prefeito”.

[2]MILL, John Stuart. A liberdade: Utilitarismo, tradução: Eunice Ostrensky. São Paulo, Ed.: Martins Fontes, 2000, p. 85.

[3]Idem.

[4] MILL, John Stuart. A liberdade: Utilitarismo, tradução: Eunice Ostrensky. São Paulo, Ed.: Martins Fontes, 2000, p. 86. 

 



Escrito por Fernando Milton às 20h20
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Joaquim Gomes: 881 dias sem prefeito

Acadêmicos preferem protestar contra o Estado, em detrimento da situação política do município

Não temos prefeito. Prefeito interino, não é prefeito, é interino. Não devemos nos cansar de lembrar que nós, que tanto dizemos que somos a favor da democracia, que tanto reivindicamos nossos direitos, hoje, silenciamos diante de um dos fatos mais bizarros que já aconteceu no Estado de Alagoas.

Não podemos calar ao ver o tempo passar, e nenhuma solução que venha a dar uma resposta ao impasse eleitoral em que se encontra o município de Joaquim Gomes,. É interessante notar, como a “sociedade” deste lugar silencia em relação a esse fato esquisito, asqueroso... Mas é essa mesma “sociedade” que se mobiliza para pedir a saída de um diretor de colégio. Não quero entrar no mérito dessa questão, porém, devo apenas propor que essas mesmas pessoas a que me referi como “a sociedade”, se mobilizem e façam o mesmo em relação a situação politico-administrativa deste município. Peçam uma eleição suplementar para escolher um prefeito democraticamente. Ou se faz isso, ou seremos obrigados a admitir que este munícipio é o ânus do mundo, pois, dentre 5565 munícipios brasileiros, ele, pelo que me consta, é o único a não possuir um gestor eleito pelo povo.

Isso não deve está acontecendo por morosidade da justiça apenas. Deve haver algo por trás disso. O quê? Não sabemos, mas podemos imaginar. Para aumentar a estranheza dos acontecimentos dessa cidade, podemos exemplificar a convocação idealizada por estudantes universitários desse município, na rádio comunitária. Trata-se de uma convocação para os joaquingomenses comparecem no ato em defesa de um Estado melhor e contra a pouca atenção dispensada aos servidores público, por parte do governo Teotônio Vilela.

Afirmamos que esse ato pode ser considerado estranho, devido ao fato do nosso município está sem prefeito efetivo, desde o início de 2008, e nada foi promovido, nem uma palavra foi dita, por aqueles que esbravejam contra o governo do Estado. Parece estranho e desconhecer a realidade do município, devido ao empenho esmerado a uma manifestação em relação ao governo de Alagoas, e nenhuma palavra em relação a situação política do município. Por que não promover uma manifestação em frente ao TRE – AL pedindo uma eleição suplementar para o nosso município. Está aqui feita a  proposta.

Afirmamos ainda, que tais colegas “parece desconhecer a realidade do município”, porque para ir até Maceió e tomar parte da manifestação o cidadão gastaria, no mínimo, 14, 20 reais. E como somos sabedores, muitos de nossos munícipes não dispõem de condições favoráveis para ir  a capital do estado quando desejarem. A massa de Joaquim Gomes não possui poder econômico para se dar “a esse luxo”.

Apesar disso, ressaltamos a luta por um Estado melhor almejada pelos estudantes, ao tempo em que sugerimos a promoção de uma manifestação por uma eleição suplementar no município, que é, admitamos todos, mais viável e mais oportuna para todos os joaquingomeses.

            Por fim, deixamos a pergunta: qual problema pode ser considerado mais importante para os cidadãos joaquimenses? a) A falta de prefeito eleito pelo povo no município, ou b) O não aumento dos salários dos servidores públicos do Estado.

            Tenham uma boa reflexão, e nos encontraremos no ato, talvez.



Escrito por Fernando Milton às 12h27
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PARABÉNS

 

No dia 22 de fevereiro, recebi a seguinte mensagem em meu e-mail.


"Adorei ver vc com seu proprio blog, fazendo oq vc gosta de fazer... Eu que ja era fã do uniala, vou me tornar agora fã desse otimo blog que vc criou... Continuo torcendo muito por vc viu, bjus..."



A pessoa que enviou não se identificou, contudo, posso depreender quem seja, ou acho que posso. Por isso, hoje, dia especial para essa internauta, publico sua mensagem informando que desejo o mesmo para ela.

 

                                                                               “Maio                                                                               
                                 já está no final                                
O que somos nós afinal
se já não nos vemos mais
Estamos longe demais
longe demais”

 

“Maio
já está no final
É hora de se mover
prá viver mil vezes mais
Esqueça os meses
esqueça os seus finais
esqueça os finais”

 

 



Escrito por Fernando Milton às 15h35
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FORA TÉO VILELA

 

No dia 27 deste mês, sexta-feira próxima, acontecerá uma manifestação aqui em Maceió com pessoas de todo o estado pedindo a renúncia do governador. Todo mundo vai sair a rua, dirigir-se a residência do mesmo, de cara pintadas e gritando palavras de ordem. A manifestação têm o apoio de praticamente todas as representações dos servidores públicos do estado.

As grossuras e estupidez do governador do estado têm provocado na sociedade alagoana, um profundo descontamento com sua administração e, especialmente, com sua maneira inadequada, ríspida e debochada de tratar os servidores públicos. O referido políticos, quando perguntado sobre o aumento do salário dos servidores efetivos, sorriu e afirmou que convocaria uma entrevista coletiva para falar o assunto. O sorriso irônico ou, no mínimo, inadequado causou revolta até naqueles que haviam votado nele.

Apesar de toda a falta de diplomacia do governador do estado de Alagoas, o que mais motiva a todo cidadão a participar da manifestação é o estado de calamidade e abandono que Alagoas se encontra. Na saúde, podemos encontrar no Hospital Geral do Estado - HGE mais de quarenta pessoas pelo meio do corredor, um mal cheiro terrível, uma comida péssima e um tratamento, muitas vezes inadequado por parte de alguns funcionários, para quem está numa situação vulnerável. Em síntese, a saúde oferecida pela gestão tucana está na UTI!

As propostas de Teotônio Vilela para a segurança também não são boas. Parecem, às vezes, que é até brincadeira. O referido político quer dar premiação em dinheiro para os policiais que apreenderem armas ilegais. Aí o governador incentiva a tropa a se individualizar e, além de tudo, não contempla toda a classe, pois os bombeiros teriam de atear fogo em canaviais para podem ter mais ocorrências, e aí receber a bonificação, já que não é função deles apreenderem armas.

O político e usineiro Téo Vilela não conseguiu melhorar nada no estado desde que assumiu. Suas práticas mais notórias têm sido ameaçar servidores e bater de frente com entidades representativas da sociedade. Esse governador merece ter o mesmo destino do ex – governador Suruagy quando, no dia 11 de julho de 1997, 1.100 policiais Civis e 8. 200 policiais militares saíram as ruas e pediram a renúncia do governador. Depois muita de confusão e até atentado a bomba no Tribunal de Justiça, os prédios públicos do estado foram ocupados por soldados do exército. A não aceitação por parte da Assembléia do impeachment do Suruagy provocou revolta popular, culminando em tiroteio entre os manifestantes (policiais civis e militares) e o exército, levando a renúncia do já referido político.

Assim faremos com esse governador que aí está. Vamos pedir a renúncia dele. O povo quer, o povo pode!











Obs.: Em breve proporei algumas alternativas para forçar uma solução para o impasse eleitoral em Joaquim Gomes.



Escrito por Fernando Milton às 12h08
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Joaquim Gomes: deve orgulhar-se de seus dois mestrandos da UFAL

 

Esta cidade tem, pela primeira vez, pelo que me consta, seus primeiros dois mestrandos na Universalidade Federal de Alagoas. Daril Weslen e Vagner Ranter são os nomes deles. O primeiro, graduado em Ciências Sociais, ingressou no mestrado de Sociologia da referida instituição um anos depois de concluir o curso de graduação. Entretanto, foi o primeiro a galgar um passo além da graduação, hoje obtida por grande número de pessoas, tanto pela facilidade do governo federal em conceder bolsas, tanto pelo aumento abusivo de cursos a distância. Sempre foi um aluno dedicado, e ao conversar com ele, percebemos o gosto que o mesmo nutre pelo estudo da sociedade ao qual se dedica.

Já Vagner Ranter ingressou esse ano no mestrado de matemática da assinalada universalidade, onde o curso de graduação é referência no Brasil. Vale ressaltar que ele saiu direto da graduação para o mestrado. Ao conversar com Ranter, percebe-se também igualmente o amor dele pelos números. Isso ele já demonstrava no ensino médio, quando fui colega de turma dele e pude constatar o que digo.

Ambos representam a mais alta intelectualidade do município, considerando também o título acadêmico. Assim, constituem ainda motivo de alegria e orgulho para seus munícipes muito mais do que outros “casos específicos”, pois, eles atingiram tal nível de instrução graças a seus esforços e dedicação. E não devido a qualquer outro motivo, como por exemplo, pedido do político A ou B. Até porque não haveria possibilidade de fazê-lo nesse caso, porém, o que pretende-se aqui é ressaltar que o que deve nos orgulhar é aquilo que for resultado de nossa dedicação e inteligência!

Os dois servem ainda de exemplo feliz. Exemplo de como se pode galgar degraus tão altos, mesmo estudando em escola pública, sobretudo, na Escola Estadual Mário Gomes de Barros.

Aqui externo meus parabéns e a minha admiração pelos dois filhos da terra que, não muito longe, ingressarão na UFAL novamente, não mais como estudante, mas como professores. Eu não tenho dúvidas disso, e acredito neles!

 



Escrito por Fernando Milton às 11h25
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O grito do silêncio

 

É interessante notar como, às vezes, o silêncio berra em nossos ouvidos, aquilo que nós resistimos em acreditar. Na verdade, ele diz o que o interessado ou os interessados tentam esconder. Sabemos todos, que a ausência de algo, evidencia a presença de alguma coisa. Parece estranho, e o é, contudo, o que é dito aqui condiz com a realidade de alguns pseudo de formadores de opinião do país, mas sobretudo, de nosso estado e município.

Vemos com bastante frequência, determinados críticos ferrenhos de A ou B, ou de A e B, ou ainda, de A a Z! Porém, nos deparamos com a ausência de um comentário, de uma linha, de uma palavra, de um monossílabo, sequer! O que estará acontecendo? Falta de tempo, de computador, caneta, lápis...sabemos ou achamos que sabemos que não é nada disso.

O mundo precisa de pessoas que pense. Por isso, pelo menos uma hora por dia, tento pensar. Num desses momentos acabei pensando que o fato, do silêncio está imperando em nossa localidade, sobretudo, por parte de quem esbravejava contra a imoralidade e a falta de ética se deve, muito provavelmente, por conta de umas “oncinhas”, ou ainda, algumas garoupas.

Não podemos, porém, afirmar nada, pois, não há certeza de coisa alguma. Até porque nessas coisas, certeza de algo é muito difícil ter. Ou melhor, muitas vezes, a maioria delas, temos a mais absoluta certeza, o que não temos é prova. Por isso, calamos.

Por falar nisso, lembrei de uma frase que ouvi há alguns dias: “Em política, não é possível ser 100% honesto”! Bem, ao “ouvir tal heresia”, fiquei pensando se seria possível uma pessoa ser meio honesta, ou seja, 50% honesta! Seria igual a dizer que determinado indivíduo é meio ladrão, isto é, cinquenta 50% honesto.

Assim, depreendemos que não pode haver percentual para honestidade, pois, descaracterizaria a virtude de sê-lo, e ainda, avacalharia o “ser honesto”, ou ético, já que o individuo poderia ser o bem e mal simultaneamente, o fogo e a água, o sagrado e o profano, o céu e o inferno.

De tudo isso, fica a infeliz conclusão de que aqueles poucos que se autointitulavam defensores da ética, na realidade são e foram facilmente cooptados, seduzidos pelo poder do dinheiro! Mas não é o fim, pois deve haver, e há, quem a pesar das condições adversas, resiste a tentação do dinheiro sujo, oferecido por pessoas, igualmente “sem higiene”. O silêncio dos que antes se apresentavam como defensores da ética revela que, hoje, a posição deles é medíocre e lamentável e, sobretudo, que foram cooptados.

 

 



Escrito por Fernando Milton às 13h24
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                                              Ufal: o sucateamento de tudo

A Universidade Federal de Alagoas vive um momento crítico: falta de salas de aula, pouca assistência estudantil, professores defasados e hostis, fraudes nos relógios de determinado setores da universidade (funcionários da biblioteca central adiantam a hora dos relógios do Via Pesquisa, para poderem largar mais cedo). Talvez a Ufal esteja passando pelo pior momento desde sua fundação! Para chegar a essa conclusão, acrescentamos o fato de que a propaganda da “situação” possui intensa atuação na atualidade para ludibriar  quem não vive o cotidiano da universidade.

A assistência estudantil é miserável: apesar de existir várias vagas para bolsistas [bolsa Pemanência, antiga estudo/trabalho] a universidade não coloca o número adequado, acarretando assim, em sobretrabalho para os alunos bolsistas desse explorador programa. Na Ufal os alunos desenvolvem trabalhos de natureza administrativa e têm a mesma responsabilidade de servidores administrativos que recebem aproximadamente 2 mil reais por mês. Os alunos recebem R$ 300,00! Se não bastasse isso, há setores que, para forçar um maior empenho dos bolsistas, seus chefes dizem que o percentual de alunos-bolsistas em relação aos servidores está estourando e, para mantê-los, precisa de uma boa justificativa. Ou seja, precisa que eles deem o sangue! 

Outro ponto calamitoso é o restaurante universitário (RU) que, dentre outros aspectos, está sobrecarregado: a capacidade do mesmo é mínima, incluindo-se aí, o número insuficiente de mesas, cadeiras, talheres e, sobretudo, de comida. Falta comida diariamente, sem mencionar que esta é de péssima qualidade ( o frango foi apelidado de carcará, pois, é extremamente duro). Agora já não há papéis nos banheiros. As mulheres que os utilizam com maior frequência, reclamam com veemência, mas ninguém responde. Os funcionários que cuidam da limpeza no campus passaram recentemente, por um período de três meses de atrasos de salários. O caos é total. Mas a aparência é mantida.

Diante dessa situação, o que nos resta fazer? Apelar para a imprensa, promover algum ato reivindicatório, ocupar a reitoria? Bem, de uma coisa nós sabemos: Temos que ter muito cuidado com movimentação de caráter reivindicatório, pois, da última vez que isso foi feito dentro dessa universidade, muitos dos companheiros foram espancados pelos guardas da Servipa. Então, o que podemos fazer?

Eleger uma nova gestão. Não é a melhor solução, entretanto, é a solução possível.

 



Escrito por Fernando Milton às 17h00
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Para os omissos

Atendendo a sugestão de alguns leitores, resolvi criar um diploma para àqueles que gostariam de estar presente na manifestação realizada pelos estudantes universitários e cursistas que utilizam o ônibus para ir a Maceió, mas que, não estiveram presente na manifestação pelo fato de nós termos ido fazendo barulho, apitando, etc (para a Secretaria de Educação). Esses companheiros, por terem recebido favores ou por receio de algumas pessoas da administração municipal, foram omissos, reacionários não participando do Ato reividicatório. Para esses colegas, os meus companheiros verdadeiros sugeriram a confecção do Diploma de Bem Comportado, conforme modelo abaixo. [Basta vc colocar seu nome]

Diploma de Bem Comportado

Declaro para os devido fins que _______________________________________

É bem comportado, não participa de uma movimentação contrária ao governo, mesmo que esta seja para o benefício de todos, inclusive dele mesmo. Este ler conforme a cartilha e, por isso, deve ser tratado com delicadeza, agraciado, inclusive com emprego.

 

 

___________________________________________

JOSÉ RABBO PREZO

Diretor

 

 

 

 

 

 

 

Para reforçar minhas incultas palavras, concluirei com uns versos de Gonzaguinha que bem retratam essa situação, embora dito em outro contexto. Os versos do cantor são:

“Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado”



Escrito por Fernando Milton às 21h05
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O crítico, o espectador e o “barata”

 

O crítico é aquele que ao constatar um fato, uma obra ou algo similar procura vê sempre as falhas. Nunca as virtudes. É o urubu que prefere a carne fétida em putrefação a uma ainda conservada. Que agoura o miserável ainda moribundo, no desejo de que ele sucumba o quanto antes. As pessoas não gostam do critico, pois, têm medo de ser um dia alvo de seu veneno. O crítico é avarento e egoísta, provavelmente por isso, não admite o sucesso dos outros.

Essa é a visão comum que se tem do crítico. Talvez devido a isso haja poucos indivíduos que se enquadrem nessa classificação. Muitas vezes ele é confundido com o “espectador espelho”, que é aquele que pensa de acordo com o movimento do palco. As opiniões suas, dependem diretamente do carisma dos atores que estão encenando. Para sustentar suas posições se valem de informações e fatos verdadeiros, mas que levam a conclusões falsas. Vendem às pessoas uma “verdade mentirosa”, em outras palavras, eles passam gatos por lebres. Esses espectadores que confundimos com críticos são perigosos, porque iludem e confundem as pessoas. Mas poderiam ser ainda mais nocivos, caso houvesse mais pessoas que acreditassem neles. O bom disso, é que praticamente só eles, e devido a muito esforço, conseguem acreditar em suas próprias conclusões.

Os espectadores são engraçados e patéticos. Engraçados porque eles fingem tanto acreditar neles próprios que, às vezes, confundem suas falsas verdades com a realidade; são tragicômicos. Patéticos e deprimentes porque assumem posições constrangedoras, infelizes, sob o olhar do povo, que não é bobo, passando a ser visto como “ingênuos”, “equilibristas de muro” (é aquele que faz uma crítica ali, um elogio aqui e acolá para agradar a gregos e troianos. Também é chamado de “barata” porque morde e assopra), ou simplesmente uns “asnos”. Preferimos apostar no primeiro.

Para ilustrar as situações acima mencionadas, vamos pegar um exemplo político. O Egito é o escolhido. Hosni Mubarak tem 82 anos, 30 dos quais estava na presidência do Egito, alcançada por meio de um acaso. Suponhamos que o citado país africano não estivesse passando por uma situação calamitosa político-econômica, que Mubarack estivesse moralizado o setor público (demitindo funcionários que não trabalhavam, por exemplo), reduzindo gastos supostamente desnecessários, mudando os dirigentes dos cargos chaves do governo anterior, dentre outros. Feito isso, caro leitor, você o apoiaria? Manifestaria apoio a gestão de Mubarck publicamente?

Caso sua resposta seja “sim”, concordemos que você não é adepto da democracia, por conseguinte também não é favorável a permuta de governantes, ao sufrágio universal, etc. Porque a partir do momento em que se concorda com a permanência de Mubarak no poder, está ajudando a manter um regime totalitário não condizente com a democracia que alguns de nós, brasileiros, tanto zelamos. Não é possível, para quem preza pelos princípios democráticos, aceitar de bom agrado e ainda apoiar, um governo que é fruto da corrupção e da ilicitude. O que é resultado do mau, nunca se tornará bom.

 Essas considerações sobre o Egito são válidas para qualquer caso semelhante, mesmo que não se trate de um golpe.

 



Escrito por Fernando Milton às 16h42
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Quando  Ele ($) prevalece sobre Ela (a razão)

 

 

ESTA TERRA VIVE UMA GRANDE MUDANAÇA E TENHO MOTIVO

REAL ($)

PARA ACREDITAR NISSO.

 

 

 

 

P.S.: Agora “eu” vejo que está tudo bem. Antes “eu” estava com a vista turva. Não enxergava o quanto as coisas estavam boas. Agora posso ver que a edificação de um novo lugar estava e está sendo erguida.

 



Escrito por Fernando Milton às 09h53
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                                                      O que é cultura

O que é cultura? Você tem cultura? Muito se fala sobre o assunto, mas há alguma hesitação em responder a estes questionamentos. Ouve-se falar “Fulano é muito culto, saber falar inglês e francês fluentemente”. Ou, por outro lado, dizem “sicrano não tem cultura, é um selvagem”. Ou ainda, em contraponto a isso alguém afirma “vamos estudar a cultura indígena”.

Temos assim, duas concepções de culturas: uma que apresenta a cultura como sendo o fato de um indivíduo conhecer várias línguas, ter conhecimentos sobre literatura, quadros e pintores, enfim, relaciona-se ao conhecimento formalmente adquirido. A outra diz respeito aos costumes, crenças e tradições de um povo. Trata-se do conceito antropológico de cultura que Gilberto Freyre define como “o conjunto de valores, hábitos, influências sociais e costumes reunidos ao longo do tempo, de um processo histórico de uma sociedade”.

A partir disso, concluímos que todos  possuem cultura, e ela aumenta à medida da sua existência. Os índios, os trabalhadores rurais, o homem do campo sem nenhuma escolaridade têm sua cultura própria, que são seus conhecimentos gerados a partir das experiências reunidas durante sua vida. É o que confirma outro grande estudioso brasileiro, professor Darcy Ribeiro, assegurando que cultura é a “Herança social de uma comunidade humana, representada pelo acervo coparticipado de modos estandardizados de adaptação à natureza para o provimento da subsistência, [...] de valores e de crenças com que explicam sua experiência, exprimem sua criatividade artística e se motivam para a ação”.

Podemos dizer que, numa perspectiva mais ampla, a cultura engloba o conceito antropológico, e o conceito mais tradicional e restritivo, que é aquele de cultura como sinônimo de erudição. Todas têm um valor igual, se é que poderíamos falar em “valor” tratando-se de cultura, pois, esse tema não cabe qualquer tentativa de cunho classificatório, seja de natureza qualitativa ou quantitativa. Cultura é cultura, e não pode ser medida. Qualquer tentativa de fazê-lo é temerária, podendo incorrer quem o fizer, em considerações preconceituosas.

Abandonando as questões conceituais, observamos que na atualidade o maior desafio dos gestores culturais é a promoção cultural de cunho, digamos, mais “global”. Cabe aos gestores identificar nas manifestações da sociedade aquilo que a identifica, e dar condições para que ela se manifeste com maior ênfase; de maneira mais abrangente, aos gestores da cultura compete estimular a criação artístico-cultural nas áreas que eles identificarem potencial criativo. Ainda é tarefa deles, traduzir o crescimento cultural de um município, de um estado, de um país em geração de renda e desenvolvimento para a localidade. Sem isso, o estímulo cultural e a própria cultura teriam sentido menor e secundário. A cultura se tornaria algo decorativo com seu significado de existência reduzido em si mesma, sem efeitos práticos na vida das pessoas.

A cultura, portanto, é um mecanismo tanto de representação de um povo, como também de promoção do desenvolvimento se vista a partir da perspectiva de que ela deve, principalmente, promover o bem-estar para a sociedade. É esse o princípio que fundamenta a gestão cultural dos tempos atuais e da nova perspectiva da cultura.

 

 



Escrito por Fernando Milton às 11h35
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Wassu Cocal: um motivo de orgulho

A bravura de seus índios foi destaque na guerra do Paraguai

 

A nossa cidade, querida Joaquim Gomes, tem o privilégio de ser uma das poucas cidades alagoanas a possuírem uma aldeia indígena dentro de seus limites. Os índios, que são os mais brasileiros de todos os brasileiros estão aqui, perto de nós, ao nosso alcance.

O Brasil durante muitos anos buscou sua identidade nos indígenas. A obra do escritor romancista José de Alencar, dividida em quatro partes pelos literatos (urbano, regionalista, indianista e histórico), sendo uma delas, denominada a Indianista. Justamente pelo fato de o escritor tentar dar uma identidade para o Brasil autêntica, genuína. Nesse intuito dedicou alguns de seus romances ao assunto.

 Naquela época ainda estávamos carentes de identidade. Alencar não optou pelo negro, que era africano, nem pelo branco, que era europeu. Para traçar o herói dos seus romances, Alencar escolheu o índio. Dentre os romances dedicados a temática estão Ubirajara, O Guarani e Iracema, o mais famoso deles.

Fora da literatura, e bem próximo a nós temos, a antiga aldeia Urucu, hoje Wassu Cocal, designação que alguns nativos atribui ao fato de haver abundância de coqueiros, daí durante os anos foi evoluindo de coquerar, cocar, até hoje cocal.  O Wassu foi colocado pelo índio Ibis Menino de Freitas, ao registrá-la na FUNAI.

Concordemos em uma coisa: ela é sem dúvida alguma, motivo de orgulho e satisfação para nós Joaquingomenses. Assim como os heróis, Peri de O guarani, Jaguaré de Ubirajara,  como a própria índia Iracema, a Wassu cocal tem o Capitão Antonio de Sousa Salazar, um herói nacional.  Sua história é mais bonita e mais altiva que as dos livros de Alencar, porque é verdadeira.

Era por volta dos anos de 1860, quando o Brasil, em guerra com o Paraguai, estava em baixa e necessitava de mais soldados para lutar contra os paraguaios. Muitos soldados estavam desertando, muitos dos cidadãos livres estavam usando de todos os meios possíveis para não ir a guerra. Não havia ninguém que quisessem ir para o combate de bom grado, tanto era o temor diante o conflito. O então valente Salazar, índio da Wassu se apresentou as autoridades disposto a colaborar com elas.

O guerreiro Salazar e sua turma receberam armas, munição e os apetrechos necessários para o combate, e partiram. Lá sua bravura e heroísmo foram fatos comprovados, sendo reconhecido pelas autoridades. Tanto foi fato que o imperador D. Pedro II concedeu ao povo do Capitão Salazar, quatro léguas em quadro, o equivalente a uma sesmaria em recompensa a seus serviços, prestados ao império brasileiro.

Portanto, temos no nosso munícipio os indígenas, aqueles que aqui habitavam antes da invasão europeia, e ainda, um povo indígena que teve atuação destacada perante o conflito Brasil-Paraguai. Concordemos também que em nosso DNA está a matriz indígena, negra e europeia, independentemente de quaisquer que sejam nossos sobrenomes, ou origem mais próxima.

O Brasil é formado pela mistura das raças. De tanto isso ser dito já virou clichê. Mas é importante repeti-lo porque é fato. O mestre Gilberto Freyre afirmava “Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro." Então Fagner está certo, quando diz em sua belíssima canção, que “Somos todos índios.” O que é muito bom, porque assim, somos todos heróis.

 

Há muito tempo que falo

Da natureza e de amor

Das coisas mais simples

Dos homens, de Deus

Canto sempre a esperança

Acredito no azul que envolve o planeta toda manhã

 

Depende de mim, depende de nós

Escuto um silêncio, ouço uma voz

Que vem de dentro

E enche de luz

Toda nossa tribo... Somos todos índios

 

Tenho pensado na vida

E no prazer de viver

Nas coisas bonitas

Entre eu e você

Meu canto sempre é de luta

Por um mundo de paz

Cuidar das florestas e dos animais

 

Abraço  forte, e fiquem com Deus.



Escrito por Fernando Milton às 10h16
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